3 novas séries estreladas por mulheres incríveis

A TV dos últimos anos está dando um baile no cinema quando o assunto é diversidade. Não bastasse sair na frente dos filmes se reinventando de uns 20 anos pra cá, a televisão está cada vez mais voltada para personagens que são gente como a gente – e não só homens brancos, cis e héteros. Apenas nesse finalzinho de 2016, rolaram três excelentes “comédias” que colocam no centro personagens femininas realmente inspiradoras. Vim aqui compartilhar com vocês essas minhas novas queridinhas <3

Chewing Gum

Grata surpresa entre as produções originais da Netflix! Tracey Gordon (Michaela Coel) é uma jovem de 24 anos que sonha em ter uma experiência sexual com seu namorado há anos, Ronald. O que poderia ser normal – uma mulher adulta expressando seus desejos – se torna uma crônica tragicômica de como é tentar encontrar seu lugar no mundo, especialmente quando se é uma mulher negra e imigrante. Michaela Coel criou a série autobiográfica, já garantiu sua segunda temporada e certamente é uma das pessoas mais engraçadas deste ano.

Better Things

Sempre gostei da Pamela Adlon, que eu mal via depois de ter desistido de Californication. Mas de uns tempos pra cá, ela vem aparecendo cada vez mais, com um ótimo papel em Louie. Agora, a atriz e Louis CK produzem sua nova série no FX, centrada na vida de uma mãe divorciada, suas três filhas e sua vida em Hollywood. Também bastante baseada na vida de Pamela e de suas próprias filhas, a série reúne em 10 episódios temáticas difíceis com um frescor e uma leveza que poucos roteiros têm. É que a protagonista vai descobrindo, junto com a gente, a melhor forma de lidar com seus problemas, por mais lugar comum que possam parecer. É libertador ver uma mãe que sequer tenta fingir que é perfeita, o que não significa que ela não se importe. Sam vacila e deixa a gente irritada, apenas para mostrar, na cena seguinte, que só está tentando dar o seu melhor, assim como todos nós. Better Things aborda sexualidade, raça, gênero e tantas outras questões pesadas sem deixar de nos encantar a cada episódio!

One Mississippi

Essa eu comecei a ver hoje, admito! Mas só de ver os créditos no primeiro episódio já dá pra sentir que essa série reúne nomes impressionantes. Além da protagonista, Tig Notaro, assumem a produção Louis CK (novamente), a roteirista Diablo Cody e a cineasta Nicole Holofcener. One Mississippi tem em comum com as outras duas séries o fato de ser inspirada em fatos da vida da própria Tig, que já foi tema de um documentário na Netflix sobre o período em que perdeu sua mãe e foi diagnosticada com câncer. Apesar de se tratar de uma comediante, a história tem um tom melancólico, com Tig reavaliando as coisas após a perda de alguém insubstituível. Já é uma das novas séries mais promissoras da Amazon, sem dúvida!

Espero que gostem das dicas! E vocês, têm alguma série legal com essa temática para me recomendar? É só deixar nos comentários!

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Assista Treme

Dizem que se conselho fosse bom, ninguém dava. Mas eu faço parte do pequeno grupo de pessoas que assistem Treme, produção da HBO cuja última temporada estreia hoje. E se há algo que esses espectadores têm em comum é recomendar a série pra todo mundo que conhece.

Guardians of the Flame emerge from Poke's Tavern to start St. Joseph's Night

Porque Treme é diferente de tudo que você já viu. Ao ter a New Orleans devastada pelo Katrina como cenário – bem longe do eixo Los Angeles-Nova York – David Simon conseguiu criar uma história rica cujo real valor não está no figurino, na maquiagem ou nos efeitos: está nas pessoas, nos diálogos e suas histórias.

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Acho que foi o Wendell Pierce, que interpreta o inesquecível Antoine Batiste na série, quem disse que Treme é um documentário ficcional. Essa é a melhor definição para essa experiência sem par na TV. Produto de toda uma geração de Sopranos, Braking Bads, Mad Mens e, antes disso, The Wires (também de Simon, da qual já falei aqui), Treme segue personagens que tentam sobreviver em New Orleans após a passagem do furacão pela cidade e o estrago que ele deixou.

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São famílias em busca de seus desaparecidos, advogados, policiais, políticos e construtoras em busca de uma fatia do bolo da reconstrução. Mas mais que isso, esse é um drama sobre um DJ de rádio meio maluco, a chef de cozinha que vê o restaurante quase vazio todas as noites, a proprietária que tenta fazer seu bar voltar a ser o que era antes, descendentes das tribos nativas que querem embelezar o Mardi Gras quase morto, os músicos de rua e das melhores casas de jazz e blues que vêem os shows e as gorjetas cada vez mais raramente. Ou seja: é sobre as pessoas que ajudam a construir o patrimônio cultural, histórico e gastronômico pelo qual a cidade é mundialmente famosa.

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Diálogos afiados, personagens multifacetados, participações especialíssimas e uma trilha sonora sensacional fazem de Treme uma série imperdível para quem gosta de música, mas principalmente para os que curtem boas histórias. David Simon já havia provado ser um mestre em contá-las em The Wire, e voltou dessa vez menos técnico e com mais coração. A série tem o nome de um dos mais representativos bairros de New Orleans porque busca, sempre que possível, povoá-la de personagens reais e verdadeiras lendas vivas da cidade.

Kermit Ruffins (centro) é um dos muitos personagens reais de Treme: churrasqueiro e músico faz parte de um elenco super competente.
Kermit Ruffins (centro) é um dos muitos personagens reais de Treme: churrasqueiro e músico faz parte de um elenco super competente.

Esse trabalho impecável de pesquisa faz qualquer um se apaixonar por aquele lugar, por sua música e tradições. Fui do piloto direto para ouvir a trilha sonora inteira, para as receitas de pratos típicos, para sonhar roteiros de viagens junto ao Daniel, meu parceiro de vida, de aventuras e de séries apaixonantes.

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O inevitável luto de quem se despede de personagens que acompanha há tempos (no meu caso, há meses, mas pra muita gente, desde 2010) já começou. Corra pra ver, antes que termine, ou depois que terminar. E passe adiante.

Leia também: o post do sr. meu namorado, Daniel Corrêa, no Tenho Mais Discos Que Amigos! sobre Treme.

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O final de Dexter

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Atenção: o texto abaixo contém spoilers para quem não assistiu ao episódio final de Dexter. Tipo, sério. Spoilers mesmo.

Técnico no laboratório da polícia de dia, serial killer à noite. Dexter Morgan tinha nuances tão promissoras quanto Tony Soprano, Don Draper e até mesmo que David Fisher, personagem que Michael C. Hall tinha acabado de aposentar em Six Feet Under. Foi essa dualidade que atraiu a audiência e manteve Dexter no ar por oito anos – uma trajetória encerrada no último domingo no melhor clima “já vai tarde”.

O que aconteceu entre o piloto e a series finale é que é difícil compreender. O psicopata que todos aprendemos a amar foi do justiceiro lidando com seu “passageiro sombrio” a um personagem tão unidimensional quanto qualquer outro que povoava a delegacia da Miami Metro. Subaproveitados especialmente nas últimas temporadas, Deb, LaGuerta, Batista, Quinn e Masuka orbitavam em torno de um protagonista cujo arco deveria sustentar toda a trama, mas que teve a base enfraquecida aos poucos, até chegar a resquícios do que já foi.

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Talvez os sinais tenham estado todos nos seus primeiros anos no ar e eu não tenha percebido. Dexter foi escalando de uma série interessante a um thriller hipnotizante na quarta temporada, apenas para cair em uma constante de erros inconsequentes dos quais jamais foi capaz de se recuperar. Em uma clara tentativa de humanizar o personagem, seus roteiristas eliminaram grande parte daquilo que o fazia capaz de sentir empatia e, vejam só, amor: a família constituída com a Rita. Só sobrou o Harrison, filho dos dois e, junto da Deb e de Harry, os únicos contrapesos para o lado sombrio de Dex.

De lá para cá, foram adições ao elenco, questionamentos filosóficos e papos com o pai morto em excesso (mas, sendo justa, essas eram dispensáveis desde sempre). E, no último capítulo dessa saga, encontramos um personagem enfraquecido por idas e vindas desnecessárias e em busca de algum tipo de redenção. Acontece que você sabe que ele não merece. Não só porque mata pessoas, mas também porque causou sofrimento àqueles mais estavam ao seu lado: o pai, a esposa, a irmã e, no fim, até à mulher que lhe parecia o par perfeito para o resto da vida.

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Há aqueles que questionem se o que Dexter faz é realmente errado – matar os que matam. É bem provável que boa parte do público da série não se incomodaria se um vigilante à la Dex saísse por aí eliminando assassinos. Mas a questão aqui não é moralista, filosófica, antropológica ou qualquer um desses termos acadêmicos usados para tentar entender e explicar o rumo das coisas.

O que mais incomodou na série não foi a sua incapacidade de levar o protagonista a qualquer tipo de conclusão, apesar de muitas tentativas. Personificadas em cada serial killer que ia parar em Miami (e não foram poucos!), em Lumen (um equívoco desde a escalação de uma atriz sem qualquer expressividade para o papel) e em Hannah nas últimas temporadas, questões como fé, ética, amor e lealdade foram colocadas em xeque por um roteiro ao mesmo tempo previsível e inverossímil – do tipo que faz o espectador gritar pra TV, “ei, ninguém jamais faria isso!”

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Nunca li os livros que originaram a série, portanto não sei dizer até que ponto a adaptação se manteve fiel ao material, se é que houve essa preocupação. Isso não vem ao caso, já que estamos falando de mídias diferentes. Mas se há algo que os personagens da televisão, do cinema e da literatura têm em comum é a necessidade de despertarem em seu espectador ou leitor a curiosidade, o interesse de descobrir as nuances daquelas pessoas imaginárias e o que as leva a agir da forma que agem. As pessoas guiam as histórias, e não o contrário. É por elas que continuamos baixando os episódios ligando a TV semana após semana.

Eu esperava o Dexter morto ou no corredor da morte após uma intensa saga policial. Seria o final perfeito para alguém cujo hobby é matar e, bem, trabalha em um lugar que se especializa em colocar assassinos atrás das grades. Não foi isso o que aconteceu, e até aí tudo bem. Os bons levaram a pior – como na vida real, alguns podem argumentar. Mas ao invés de simplesmente escapar para viver na Argentina ao lado de Hannah e Harrison, a alternativa que aos poucos foi ganhando força nos últimos episódios, vimos um personagem acovardado em um final que só pode ser descrito de uma forma: preguiçoso. Não só jogou fora a oportunidade de mostrar mulheres fortes sem cair nos clichês hormonais de sempre, voltamos ao mesmo lenga-lenga acompanhado durante oito anos: “sou-um-psicopata-incapaz-de-amar-só-faço-mal-às-pessoas-à-minha-volta-mas-eu-amo-a-Rita-e-agora-gero-uma-vida-com-ela-ao-invés-de-tirar-uma-oh-wait-Trinity-you-bitch-nós-somos-iguais-mas-peraí-sou-altruísta-e-vou-arriscar-minha-vida-pra-ajudar-essa-menina-estuprada-que-eu-na-verdade-quero-pegar-mas-ela-me-abandonou-sou-mesmo-um-monstro-olha-encontrei-essa-menina-bonita-que-também-curte-matar-e-a-gente-se-ama-só-que-não-ela-tentou-matar-minha-irmã-vou-entregá-la-à-polícia-mas-ela-escapou-e-agora-eu-sei-que-sempre-a-amei-mas-vou-me-matar-nesse-furacão-aqui-porque-ela-merece-ser-feliz-tomando-sorvete-com-meu-filho-em-Buenos-Aires-mas-eu-só-queria-mesmo-ser-um-lenhador-no-meio-do-nada-the-end”.

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O final em aberto dá a entender que Dexter vai poder começar de novo, do zero. No entanto, a impressão que fica é que sequer a redenção que ele tanto buscou na fuga (que só ganhou corpo e ritmo de final no último terço da temporada) se concretizou. Dexter é só um cara com muitos esqueletos no armário. Por outro lado, enquanto é uma pena ver um personagem que um dia parecia tão rico reduzido a alguém tão previsível e, ironicamente, incapaz de gerar empatia no público, também é interessante ver o quanto o espelho se volta para o espectador e o faz perceber que ele e Dexter podem ter mais em comum do que supõe nossa vã filosofia. Mas ei, Dex: já vai tarde.

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“Eu só quero sentir tudo”

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Não me identifico com metade das coisas que a Hannah faz – a começar pelo guarda roupas e pelo gosto em homens. Mas se tem algo que Lena Dunham faz em Girls é falar com toda uma geração de jovens mulheres de 20 e poucos anos que só querem encontrar seu lugar no mundo.

Sem dar muitos spoilers, no quinto episódio da segunda temporada, Hannah tem uma tarde de sexo, vinho e pingue-pongue com um homem perfeito. Não só um médico, mas interpretado pelo Patrick Wilson, o que já te diz aí uma coisinha ou outra sobre o tanquinho a personalidade dele.

Mas Hannah tinha de ser Hannah. Ela tinha de falar sobre seus sentimentos. Ganhando um cafuné na cama, ela decide que é seguro se abrir ali, para aquele total estranho. Chorando lágrimas tão verdadeiras quanto uma nota de R$3, ela chega à conclusão de que é como a Fiona Apple: “Não sou louca, só quero sentir tudo”.

É uma vontade nobre. Sentir não só a torna mais humana – e, cheia de defeitos, Hannah é sem dúvida homo sapiens -, mas a permite canalizar tudo aquilo em algumas páginas e ajudar pessoas. É muito provável o que vai acontecer com o já badalado (e ainda inédito) livro de ensaios da Lena Dunham, que, sem exagero algum, pode ser mesmo uma grande voz de sua geração.

Mas, do alto de seus 24 anos, Hannah está calejada. Ela está cansada de sentir as dores que, na maioria das vezes, se inflige. O choro acontece pela realização de que ela também quer ser feliz. Ela quer a casa, o emprego, a própria lixeira.

patrick-wilsonClaro que o dr. Joshua não esperava tantos sentimentos transbordando daquela menina 18 anos mais nova e ela sabe disso, muito embora ele não o diga. Hannah já se decepcionou o suficiente para saber que as pessoas estão preparadas para se verem nuas, mas não desnudas. Não na era dos amores descartáveis, em que se envolve com o outro principalmente pra evitar ter de ficar sozinho e, Deus nos livre, olhar pra dentro.

Quando saiu daquela casa cheia de coisas que nem imagina quando vai ter, ela parecia diferente. Nessa de ser sincera, Hannah pode ter acrescentado mais uma cicatriz àquelas tantas outras. Mas a impressão que fica é a de que, muito mais que isso, ela aprendeu algo – sobre si mesma e sobre as pessoas. E de que adiantam os tombos senão para nos ensinar sobre a vida, o universo e tudo mais?

E foi aí que ela me fisgou e transformou minha tela em um espelho. Hannah está crescendo. E a gente junto com ela.

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As melhores séries de 2012

Esta lista será totalmente parcial e limitada às séries que eu assisto, por motivos de: não tenho tempo pra ver todas as séries do mundo e nem sou paga pra isso (emprego dos sonhos nº 3).

De uns tempos pra cá, a safra de séries de TV realmente muito boas é cada vez maior. Não faz muito tempo que o negócio era ver Sopranos, The Wire, 24 Horas ou Lost. Agora você tem que escolher entre as pelo menos 10 séries incríveis que habitam o maravilhoso mundo da televisão.

Tanto que não dá pra fazer um ranking. Simplesmente não consigo escolher uma preferida entre a primeira metade da quinta temporada de Breaking Bad e a segunda de Homeland, por exemplo. Assim como não dá pra apontar o que é mais decepcionante: as mesmas piadas em The Big Bang Theory ou lenga-lenga do Dexter.

Eis o que eu consegui acompanhar de melhor em 2012:

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Homeland

Admito que só comecei a assistir Homeland depois da série levar todos os prêmios possíveis. Esses fenômenos sempre me intrigam, e foi por mesmo motivo que me rendi a Mad Men e Breaking Bad. De cara, gostei de Homeland, mas ainda não entendia o motivo de tanto estardalhaço. Até que a ação ganhou fôlego e culminou em uma segunda temporada brilhante e irrepreensível – a não ser pela historinha adolescente da filha do Brody, aquela que fica franzindo a testa pra tudo. Nos livramos de personagens chatos, os pares se alinharam e o gancho para o ano que vem é bastante animador. Tá aí uma série que amadureceu bem. E ainda teve o Rupert Friend. Nada mal.

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Breaking Bad 

Breaking Bad é a melhor coisa que aconteceu à TV desde The Sopranos. É uma série coesa, brilhante e que só melhora com o tempo. É um estudo de personagem e um drama intrigante sobre os limites humanos – o fato de ter drogas e armas é só um tempero.

Nessa mesma linha, Walter White é também o personagem melhor construído dos últimos anos. Não só porque ele se encaixa no perfil de personagem falho que tem feito tanto sucesso, mas porque Bryan Cranston o interpreta no tom exato para te deixar suficientemente intrigado para saber até onde exatamente ele está disposto a ir. O fato de ter ido para o lado negro da força pode até depor contra o sujeito e fazê-lo torcer pra que ele se dê mal no fim das contas, mas você sabe que não o odeia. Ele é um homem em uma jornada e você quer ir junto.

Na quinta temporada, já começamos a ver o desfecho dessa história. O cliffhanger entre a primeira e a segunda partes foi tão bom que aposto que todo mundo já se pegou imaginando que fim terão os White e Jesse Pinkman, outro personagem incrível nas mãos de Aaron Paul.

E, quando todo o drama, o suspense e as brigas já passaram, ficam as belas paisagens do New Mexico, na melhor fotografia da TV. Mais um motivo porque Breaking Bad fará tanta falta ano que vem.

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Girls

Lena Dunham está sendo chamada de gênio. Há quem diga que é exagero, e eu não conheço bem seu trabalho como ensaísta para poder julgar, mas se há algo que não pode ser negado é que ela é uma importante voz de sua geração.

A Hannah, sua personagem em Girls, diz isso quando tenta convencer os pais a sustentá-la para que ela possa continuar no quarto tuitando e escrevendo no diário, com a pretensão de ser uma escritora. A Hannah pode nem ser tão autobiográfica quanto se imagina, mas Dunham acertou em cheio quando atacou o grande filão da geração Y.

O que faz de Girls um sucesso é que ela fala com seu público: garotas de 20 e poucos anos que estão tentando encontrar algum sentido na vida (como essa que vos fala). A melhor parte é que a série lida com questões como aborto, DSTs, assédio sexual, amizade, primeiro emprego e namorados de forma tão bem humorada que você até se esquece que este é, na verdade, um drama sobre a quarter life crisis. Seria cômico, se não fosse trágico.

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Mad Men

Mad Men é sutil. Parece ser sobre publicitários que bebem, fumam e flertam o dia inteiro, mas é muito mais que isso. Esse ano, por exemplo, foram colocadas em pauta questões sociais relevantes até hoje, como o papel da mulher na sociedade e racismo, the Matt Weiner way: on the rocks e ao som dos Beatles.

Essa é uma série em que os personagens evoluem. É por isso que, cinco anos após sua estreia e quando você menos espera, ela continua a surpreender.

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The Newsroom

Eu não sou da geração The West Wing (nessa época, assistia reprises de Seinfeld e Married With Children), mas sabia o que significava a estreia de uma nova série do Aaron Sorkin quando The Newsroom foi anunciada. Após assistir o trailer, decidi que iria aproveitar aquela oportunidade de ver o Jeff Daniels sendo jornalista e salvando o mundo toda semana.

Como não era fãzoca do Sorkin, não tinha grandes expectativas, por isso não me decepcionei. Entendo quem não achou a série lá isso tudo, mas eu gostei bastante de cada um dos 10 episódios pelo simples motivo de que todos levantavam questões éticas importantíssimas para o exercício do jornalismo diário. A série só perdia pontos quando se voltava para a própria redação, transformando os âncoras e produtores em personagens ora pobres, ora infantis demais. Mas ainda assim, The Newsroom teve bons momentos e alguns dos melhores diálogos da TV no ano passado.

Gostaria de ter assistido: Boardwalk Empire, Downton Abbey, Community, Veep

Menção honrosa: The Wire, que comecei a assistir só agora. Te amo, HBO.

E você? Que séries legais viu no ano passado?

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