Jason Mraz @ Vivo Rio (26/11)

Não sei porque não escrevi sobre o show aqui antes. Provavelmente porque, logo após, escrevi uma resenha para um outro blog e passou aquela vontade de contar para o mundo, sabe?

Pois bem, vamos aos fatos. Ouço Jason Mraz muito antes da maioria que hoje usa I’m Yours como ringtone – mais precisamente, desde You and I Both. Digamos, então, que foram 5 anos ouvindo sua música. Eu não sei você, mas o efeito de qualquer música do Jason em mim é: ouvir, buscar a letra, tentar cantar junto (gosto de um desafio, sabe como é), não sair da cabeça, decorar para o resto da vida. E quando o show foi anunciado e os ingressos colocados à venda, eu comprei no primeiro dia. Não porque tinha o dinheiro sobrando, mas porque tinha certeza de duas coisas: a) não dá mais para perder os shows dos músicos que tanto admiro (ainda mais agora, que moro a poucos quilômetros do Rio) e b) sabia que valeria a pena a parte de “me virar pra pagar depois”.

É claro que não foi tão fácil assim. A questão de como chegar ao Vivo Rio foi um grande porém – resolvido contratando um taxi até o local do show, que me esperasse e trouxesse de volta – facada. Além disso, eu tinha acabado de sair de uma virose (estava super fraca) e, depois de comprar o ingresso, descobri que teria de entregar um trabalho e teria duas provas exatamente no dia 26. O trabalho pedi a minhas colegas de grupo que entregassem, porém as provas tive de perder mesmo. E, como na Estácio não tem segunda chamada, fiquei de prova final de Linguagens e Fotografia.

Tudo resolvido, fui ao show. Aí, tudo se acalmou. Tiago Iorc subiu ao palco, arrancou suspiros. Tiê, gravidíssima, cantou Balão Mágico. E veio Jason. Descalço, acompanhado de seus incríveis músicos, ele começou entoando uma nota que só subia, ali mesmo, no escuro. Eu ali, na grande, achava que voltaria para casa sem tímpanos, tamanha a gritaria. E veio aquela que eu temia que ele não cantaria: You and I Both deu as caras. A partir daí, foram as melhores músicas de We Sing, We Dance, We Steal Things, além dos sucessos consagrados, que rendiam verdadeiros coros, como em The Remedy, Lucky (em um dueto fofíssimo com Tiê – vídeo abaixo) e no grande hit, I’m Yours).

Foi tudo o que eu esperava? Não. Se você me perguntasse, antes de show, “que música não pode faltar num show do Jason Mraz?”, eu diria no mínimo três que ele não cantou: Geek in the Pink, Wordplay e Curbside Prophet. Fizeram falta? Não. Eu, que caí de amores por Butterfly assim que ganhei o CD, nem ia perceber que ela já ia ficando de fora, quando o Mr. A-Z voltou pro bis.

Eu quis finalmente escrever algo aqui para que alguém entenda o que essa experiência significou pra mim. Não foram poucas as pessoas que arregalaram os olhos quando eu disse que perderia duas provas pra ir ao show. Há quem diga que é coisa da juventude, de ser fã. Mas o meu “relacionamento” com o Jason, se é que se pode chamar assim, não é coisa de fã. Não sonho em me casar com ele, não o acho perfeito. É que um dia eu estava triste e descobri que não só as músicas dele me distraíam dos problemas, como elas também me alegravam. Música é isso mesmo: tocar a vida das pessoas através de uma combinação de sons e, na maioria dos casos, palavras.

Eu saí de lá com a sensação de que tinha acabado de ter uma conversa com o cantor, e não assistido a ele tocar. Talvez fosse a proximidade, mas o fato é que ele me fez sorrir, me fez dançar (eu, dançar!) e me fez refletir. Quando passou por mim, olhou dentro dos meus olhos, eu sabia que tinha de dizer algo, mas tudo o que saiu (e que ele poderia compreender rapidamente), foi “we love you”. Quando disse, me senti uma adolescente boba, mas ele balançou a cabeça em afirmação e colocou a mão no peito. Pra mim, bastou.

É coisa da idade? Te direi daqui a alguns anos. No momento, ver de perto essa gente toda que canta o que eu sinto, ter esse “papo” com eles, me parece uma experiência que eu quero muito ter. É agora, aos 21, a hora  de arriscar as fichas (e o cartão de crédito, no meu caso) – e não quando já for casada e com filhos. Pode ser que o risco corrido valha muito a pena. Para muitos, eu posso ter arriscado o semestre, confiado demais no meu taco, mas os fatos são esses: fui ali ao Rio curtir um show que eu queria ver há muito tempo, e onde me diverti como nunca; voltei pra casa, segui com a vida, fiz minhas provas finais, tirei 10 nas duas, e estou de férias. E eu faria de novo.

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Ao mestre, com muito carinho

Essa foi a última semana na faculdade – desse semestre, pelo menos. Provas finais feitas, presentes de amigo oculto trocados, férias. Esse período aprendi a segurar uma câmera (e pouco além disso), conheci os primórdios da comunicação, descobri que sei ler do TP, y otras cositas más. Porém, o que mais ficou do meu primeiro contato com a Comunicação Social foi um senso crítico aumentado, exponencialmente até.

Isso, graças ao professor Bibiano. Professor de Linguagens, foi através dos mais belos e variados textos que Bibiano nos mostrou uma língua bela – a nossa. E foi através dos textos jornalísticos mais mal escritos que o professor mostrou o quão importante é a organização das ideias, a perfeita concordância, os perigos da ambiguidade. Eu, que já não era fã dos erros de Português (ou de qualquer outro tipo) em publicações, me vi ainda mais crítica do que leio, e principalmente do que escrevo.

E foi aí que parei para pensar no quanto nossos professores moldam nossa vida, atitudes e opiniões. A minha primeira professora, na verdade, foi minha mãe.  Entre muitas outras coisas, ela me ensinou que ler era legal. Muitas das minhas memórias de infância incluem minha mãe lendo algo – que fosse uma revista, trabalhos de alunos, a Bíblia. Eu achava o máximo ver os olhos ela correndo pela página, tão ligeiros. Foi então que aos 4 decidi que já era grande o suficiente para aprender a fazer o mesmo. Era uma verdadeira sede de leitura. E a primeira palavra que ela me ensinou foi to-ma-te. Me lembro como se fosse ontem. Nós duas, sentadas ao sofá, usando um banco como suporte. Minha mãe escreveu algumas palavras em um papel de pão (essa memória pode ser implantada, admito), me ensinando as sílabas mais simples. E eu aprendi o resto sozinha. Resultado: gosto de juntar sílabas até hoje.

Tia Rozana me ensinou que eu podia faltar aula e ainda assim dar conta do recado. Como estudava na mesma escola onde minha mãe trabalhava (e que por sinal ficava em Tebas, distrito de Leopoldina, sinônimo de milhares de idas e vindas de ônibus ao longo dos anos), ela às vezes dizia que eu podia ficar em casa se estava chovendo, por exemplo. E quando eu voltava, eu ainda conseguia pintar, seguir o tracejado, fazer colagens. Esse aprendizado eu carrego comigo até hoje!

Anos depois, com a Lecília, redescobri os prazeres da leitura, com a coleção Vagalume. Ela me emprestava livros, eu pegava na biblioteca. Dois anos depois, eu já havia lido alguns clássicos, incluindo Machado de Assis e Shakespeare. Foi mais ou menos nessa mesma época que descobri que não poderia ser uma arquiteta, como imaginava, porque dependeria de uma coisa chamada Matemática, que cada vez ficava mais complicada.

Com as inúmeras professoras de Inglês que tive, cheguei à conclusão de que a educação estava mesmo falida. Uma delas, porém, despertou minha paixão pela língua: Tatiane foi a primeira que parecia saber do que estava falando (e sabia mesmo) e me fez ver como era divertido ver uma série e compreender o que era dito sem depender das legendas. Acho que devo a ela cada centavo do que ganhei como professora de Inglês, anos depois.

Com a Maria Helena, descobri que, se tudo desse errado e eu não conseguisse fazer algo de que realmente gostasse, poderia virar professora do Cefet. Seria uma bela oportunidade, andar de carro novo, faltar de vez em quando, não fazer esforço algum para que os alunos aprendessem e ser bem paga para tal. Infelizmente, foi um ano inútil de “aulas” de História, que só aprofundou meu desgosto por aquilo que (não) aprendi: a Antiguidade. Foi o Magno, ainda no Cefet, que me mostrou que eu estava no lugar errado. Muito exigente (e nem sempre educado), ele nos fazia montar circuitos e diferenciar diodos e calcular isso e aquilo. Foi quando eu desisti do curso por inteiro.

Já no Equipe, no ano seguinte, descobri que a Física não é, na verdade, o inferno na Terra. Foi o Ormeu que me mostrou o lado interessante da calorimetria – veja só! Foi ele quem me proporcionou o meu primeiro 10 na matéria e as fórmulas na prova, me libertando da decoreba – tudo isso usando uma camiseta do Rolling Stones. E veio o Josenilson, com seu jeito de baiano arretado, iluminar as terças-feiras. Jose me mostrou que eu não precisava andar com a gramática debaixo do braço para compreender a língua. Não eram apenas os exemplos que ele dava, fazendo piadas com os nossos nomes e inventando apelidos. Era a simplicidade com que nos fazia compreender até o que considerávamos complicado. Além disso, os debates que ele sempre propunha abriram os horizontes daquela menina de 16 anos. O Marco Antônio e o Flávio mostraram o lado divertido da Biologia, que eu já tinha me acostumado a não gostar. Desde imitações do reino animal a trocadilhos engraçados, eles me ensinaram a ver com outros olhos, e por isso sou muito grata.

Depois de tantas boas memórias, me recuso a acreditar – e a aceitar – que a educação não tem jeito. Acredito, isso sim, que os bons professores tem o poder de transformar, tanto o bom aluno quanto o ruim. Querendo ou não, são pessoas que tem um papel importantíssimo em nossas vidas, e a quem deveríamos ser um pouco mais agradecidos. A eles, então, o meu muito obrigada.

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Silêncio no salão

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Todas falavam juntas. O aniversário de 15 anos da filha da vizinha, que teve comes e bebes de menos e convidados demais; o casamento da colega de trabalho, que já namora há 10 anos; aquele especial do Globo Repórter sobre alimentação saudável. Falavam enquanto tinham seus cabelos pintados e alisados, as unhas feitas.

E ela ali, no canto sombrio da depilação de sobrancelhas. Não ousava abrir os olhos, muito menos a boca. Só observava as escovas, as pinças, os secadores.

E, em meio a tantas mulheres, se sentia só.

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