Metas de leitura para 2016

Então o ano novo chegou com aquele ar de “folha em branco” que a gente tanto estava precisando. Uma chance para recomeçar, pensar melhor nossas atitudes e escolhas e torcer pra que a vaca não vá pro brejo em 2016 também. Como no ano passado estabelecer uma meta de leituras me ajudou tanto, agora começo janeiro com bastante gás para manter o ritmo ao longo dos próximos meses.

Por isso, vim aqui compartilhar com vocês minha atual listinha de leituras para 2016. Tem alguns bons desafios aí no meio, dicas do Daniel, livros que ganhei e ainda não li, sem falar nos encalhados na estante. Já comecei e estou animada para o que esse ano vai trazer em termos de histórias incríveis – reais ou fictícias.

Por enquanto, os selecionados são estes:

  • Almanaque Anos 90 (Silvio Essinger) – Sou uma filha dos anos 90 e a Júlia, que trabalha com a gente aqui na Build Up Media, sabe disso, por isso me deu esse presente. Já comecei a ler e a maior prova disso foi buscar uma playlist de pagode no Spotify;
  • Graça Infinita (David Foster Wallace) – Tem mais de mil páginas e essa é a minha segunda tentativa de leitura. A boa notícia é que também comecei (do zero) e estou gostando bem mais. Será a tradução do Caetano Galindo? Essa leitura está sendo feita em parceria com o maridão, e de tempos em tempos vamos parar para discutir o livro. Tudo indica que assunto não vai faltar;
  • Fama & Anonimato (Gay Talese) – Retomando minhas leituras jornalísticas com o maior mestre de todos <3
  • O último voo do flamingo (Mia Couto) – Presente da minha mãe de quase dois anos atrás (vergonha);
  • Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (Mia Couto) – Mais um romance do Mia, o que nunca é demais;
  • Mulheres de cinzas (Mia Couto) – Mesmo princípio. Presente da mãe de aniversário;
  • Razão e Sensibilidade (Jane Austen) – Quero ler todos da Jane, e esse é o que mais me chama atenção (graças a Kate Winset e Emma Thompson). Vai ser meu terceiro Austen (li Orgulho e Preconceito e Mansfield Park);
  • Put some farofa (Gregório Duvivier) – Adoro crônica e curto bastante a coluna do Gregório na Folha. Fora isso, não sei o que esperar;
  • The most of Nora Ephron (Nora Ephron) – Reunião de tudo (ou quase tudo) que a Nora publicou. Além de ser uma cineasta incrível (Mensagem pra você, Sintonia de Amor), ela era jornalista e escrevia sobre assuntos variados que vão de culinária a rugas. Vou ler com calma ao longo de 2016, pra saborear bem devagarzinho;
  • Aguapés (Jhumpa Lahiri) – Nem sei sobre o que é esse livro, mas vi algumas booktubers falando bem dele, o nome me chama atenção e faz parte da minha intenção de ler mais mulheres e autores de outros lugares do mundo;
  • A arte de entrevistar (Barbara Walters) – Ela está há uma eternidade na TV e contou nesse livro um pouco das suas experiências de ter estado cara a cara com algumas das pessoas mais marcantes da história mundial. Novamente, mais jornalismo na vida;
  • Profissões para mulheres e outros artigos feministas (Virginia Woolf) – O mais próximo que cheguei de Virginia Woolf foi ler Mrs. Dalloway, que amei (e pretendo reler). Esse livreto da LP&M vem pra atender a minha curiosidade por mais coisas da autora, além de complementar meus estudos sobre feminismo;
  • American Gods (Neil Gaiman) – Daniel tem aqui uma edição de bolso bem gordinha, que ele insiste ser a obra prima do cara (ou uma das). Gostei bastante de O oceano no fim do caminho, minha primeira experiência com o autor. Sem falar que o Dan me conhece bem e vive linkando o livro com Chuck Palahniuk no quesito bizarrice. Ok, Gaiman, você tem minha atenção;
  • Bonsai (Alejandro Zambra) – Novela curtinha, que li hoje cedo. Adorei e quero ler as outras obras dele;
  • A vida privada das árvores (Alejandro Zambra) – Consequência de ter lido Bonsai de uma sentada só;
  • Formas de voltar para casa (Alejandro Zambra) – Idem;
  • Fama & Loucura (Neil Strauss) – Jornalista conta como foi entrevistar alguns dos maiores nomes da música. Tem tudo a ver com meus estudos sobre jornalismo cultural e musical. Presente do marido 🙂
  • Women who run with the wolves (Clarissa Pinkola Estés) – Uma desconstrução necessária dos arquétipos femininos. Ainda não sei bem o que esperar, mas sei que é bem recomendado por pessoas que respeito, sem falar que se encaixa nos meus estudos feministas;
  • O escolhido foi você (Miranda July) – Da Miranda July, só li um artigo em que ela entrevista a Rihanna. Foi o suficiente pra me deixar interessada no trabalho da autora, o que me trouxe a este livro. Só hoje descobri que é uma coletânea de entrevistas com pessoas que ela contatou via classificados de jornal. Não sei bem como isso vai se transformar num livro, mas tô pagando pra ver;
  • Lullaby (Chuck Palahniuk) – Raramente leio sinopses, ou seja, não sei sobre o que é este livro. Só sei que é do Chuck e um dos poucos que faltam pra mim!
  • Invisible Monsters Remix (Chuck Palahniuk) – Pelo que entendi, esse é um Monstros Invisíveis com extras, ou seja, trechos que não entraram na versão final do livro. Como já queria reler, aproveitei pra aumentar a coleção com esse ~inédito~;
  • Se um viajante numa noite de inverno (Italo Calvino) – Mais uma indicação do Daniel. Também não sei o que esperar, mas é um dos autores favoritos dele;
  • Histórias e conversas de mulher (Mary Del Priori) – Estou muito a fim de estudar História esse ano e o livro da Mary cai como uma luva no meu interesse pelo lugar da mulher na sociedade;
  • O livro das criaturas de Harry Potter – Livro ilustrado com os conceitos visuais e explicações sobre os animais e seres mágicos que aparecem nos livros de J. K. Rowling. É um grande almanaque, acredito que vá ser uma leitura rápida e prazerosa;

  • Moacir Santos – ou os caminhos de um músico brasileiro (Andrea Ernest Dias) – Minha primeira biografia desde, sei lá, o No Direction Home. Estamos fascinados pelo Moacir aqui em casa, e vai ser ótimo conhecer mais sobre a vida e obra dele;
  • Como a música ficou grátis (Stephen Witt) – Uma análise das transformações que já aconteceram na forma como consumimos música. Mais uma vez, livro super recomendado por aí e que tem muito a ver com nossa linha de trabalho na Build Up;
  • Problemas de gênero (Judith Butler) – Avançando nas leituras feministas com uma das mais renomadas teóricas sobre gênero. O que me dizem sobre as obras da Judith Butler? Que são bem pesadas, mas que valem a pena. Espero que sim!
  • Fahrenheit 451 (Ray Bradbury) – Um clássico que eu sempre tive vontade de ler (admito que pela capa de uma das edições brasileiras. Nunca li nada do Bradbury, mas parece que vou curtir a leitura;
  • Meio sol amarelo (Chimamanda Ngozi Adichie) – Após Hibisco Roxo, quero ler mais da moça;
  • O coração disparado (Adélia Prado) – Desde que descobri Adélia, me apaixonei pela forma como ela escreve. Não sou uma pessoa de poesia, mas a dela sempre me encanta;
  • Do que é feita uma garota (Caitlin Moran) – Adorei Como ser mulher, então estou bem curiosa para este.

Por enquanto é isso, pessoal! E quais vão ser as suas leituras ao longo de 2016? Compartilhem comigo nos comentários! E que este seja mais um ano de muitas histórias inesquecíveis para todos nós!

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Melhores livros lidos em 2015

Olá, pessoal! Sumi daqui, eu sei, mas a vida anda corrida demais. Vamos ver se consigo retomar o ritmo e voltar a escrever! Começando por aquilo que eu mais gosto de fazer: listas \o/

Esse ano, superei minha média de leitura. Leio por ano cerca de 30 livros, uma quantidade que venho mantendo desde, sei lá, 2009. Esse ano, mesmo com tanta correria, consegui chegar a 40 livros – não é uma diferença tão grande, mas podem ter certeza: faz diferença sim! Me sinto animada pra ler mais ainda e estou com aquela sensação gostosa, aquele quentinho no coração que só histórias incríveis podem proporcionar <3

Então, sem mais delongas, venho trazer a vocês os Prêmios Nathália Pandeló de Livros Lidos em 2015 (E Não Necessariamente Lançados em 2015):

Livro que entrou pros favoritos da vida: As Virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides

Resumindo:

Melhor Chuck Palahniuk: Diário

Esse ano li vários do Chuck: Beautiful You, Pygmy, Snuff… Apesar de ter gostado de quase todos, Diário foi o que mais me impressionou pela forma como algo supostamente cotidiano – mulher tem marido em coma no hospital – vai escalonando a um ponto em que nada mais faz sentido (e, ao mesmo tempo, todas as pecinhas se encaixam). É mais um daqueles livros em que o Chuck vai longe nas suas loucuras pra dar uma cutucada nas nossas feridas enquanto sociedade. Não esperava nada do livro e me impressionou muito.

Livro mais impactante: Hibisco Roxo – Chimamanda Ngozi Adichie

Esse livro é brutal. Fala de como a religiosidade faz com que ultrapassemos qualquer limite de humanidade e sobre atrocidades cometidas em nome da fé. Não, não é sobre inquisição, cruzadas ou coisas do tipo. É sobre uma família e um pai que educa e pune seus filhos e esposa em nome de algo maior. Hibisco Roxo passou na frente de Americanah, fácil fácil. Escrevi sobre ele aqui.

Domingo ?☁️❄️

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Melhor releitura: O Sol é Para Todos – Harper Lee  

Pra mim, O Sol é Para Todos é tipo O Meu Pé de Laranja Lima: dependendo da época que você lê na vida, o livro ganha uma nova interpretação. Dá pra ver tudo pelos olhos da Scout, mas quando você fica mais velha, já começa a se ver no lugar do Atticus, por exemplo. Mas O Sol É Para todos não perde seu impacto como uma das leituras mais reflexivas sobre raça, gênero e classes sociais e como esses conceitos afetam o nosso preconceito e a forma como julgamos o mundo (e até aquilo que não conhecemos). Não sou de reler livros, mas esse valeu a pena!  

Melhor livro épico: Middlesex – Jeffrey Eugenides  

Middlesex é épico no sentido de percorrer muito tempo ao longo das suas 600 páginas, contando a história de 3 gerações diferentes de uma família para explicar melhor seu protagonista. Poderia ser facilmente um livro sobre uma pessoa trans, mas faz um longo estudo sobre relações familiares, imigrantes nos Estados Unidos, preconceitos de raça e gênero e muito mais. Eu gostei mais de As Virgens Suicidas, mas foi com Middlesex que Eugenides ganhou o Pulitzer. Acho que isso diz muito sobre o livro.  

Eu e Jeffinho ☕️ #companhiadasletras #jeffreyeugenides #middlesex #booklovers #instabooks #starbucks

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Melhor livro reportagem: O Nascimento de Joicy – Fabiana Morais

Dividido em três partes, “O nascimento de Joicy” é um excelente panorama sobre uma grande reportagem. Logo após ler as matérias feitas por Fabiana Moraes no Jornal do Commercio, de Pernambuco, a repórter conta um pouco dos bastidores desse processo e discorre um pouco sobre o fazer jornalístico, a proximidade com o personagem e outras questões que talvez sejam interessantes especialmente para jornalistas, mas que não deixam de ser questionamentos interessantes para todos que consomem notícias. Joicy foi uma das beneficiadas pela cirurgia de redesignação sexual oferecida pelo SUS, e Fabiana acompanhou todo esse processo, de sua felicidade em alcançar o corpo que sempre desejou à decepção com o descaso de alguns médicos. Foi um dos retratos mais bem feitos sobre um personagem trans.

Melhor livro de memórias: Só Garotos – Patti Smith

Patti Smith lembra uma época de sua vida quando o mundo ainda não sabia quem ela era, antes de lançar Horses e entrar para a lista de pessoas que mudaram o rock pra sempre. Ela narra os perrengues que passou ao lado do amigo e namorado na época, Robert Mappelthorpe, e a efervescência cultural que encontrou quando se mudou pra Nova York, do nível sair pra comer um sanduíche e encontrar o Allen Ginsberg na fila, ou sair pra umas biritas e dar de cara com Jimi Hendrix e Janis Joplin.

Livro que mudou a vida: O Mito da Beleza – Naomi Wolf

Naomi Wolf faz um verdadeiro estudo do que significava ser mulher na época que o livro saiu, no começo dos anos 90, falando sobre a objetificação do corpo da mulher e as pressões psicológicas para que ela se adapte a um modelo pré-estabelecido. Parece familiar? Nada disso mudou ao longo dos anos, o que torna esse livro uma leitura interessantíssima para mulheres e homens que querem entender melhor a nossa relação com o conceito de beleza. Terminei me sentindo extremamente empoderada e mais dona de mim mesma.

Melhor livro triste: A desumanização – Valter Hugo Mãe

Mais uma vez, resumindo:

Melhor livro água com açúcar: Um Dia – David Nicholls

Um Dia só é água com açúcar na temática. É romance, mas é triste. Ainda assim, é uma das leituras mais prazerosas que fiz ao longo desse ano. Cada capítulo representa um ano na vida de Dexter e Emma no dia 15 de julho, quando tudo mudou. E o leitor os acompanha ao longo de 20 anos, passando por diferentes fases da vida. A melhor parte é que nenhum dos dois se encaixa no estereótipo do mocinho ou mocinha de romance: são falhos, imperfeitos e meio babacas às vezes. Mas você chega ao final com a sensação de que acompanhou uma vida inteira ao lado dos dois e com uma reflexão sobre a sua própria vida. Adorei.

Clássico nada a ver: Lolita – Vladimir Nabokov

Pra mim, Lolita não teve nada a ver com a minha expectativa – de que seria um livro bom a ponto de justificar o status de clássico que tem. Achei, na verdade, uma leitura chatíssima sobre personagens que não me intrigaram em nenhum momento. Pelo contrário, apenas me irritaram sendo tão previsíveis e sem profundidade. Dificilmente lerei novamente alguma coisa do Nabokov.

Livro mais arrastado: The Marriage Plot – Jeffrey Eugenides

Sim, terceiro e último Eugenides nessa lista, porque esse ano li tudo o que o cara lançou, meio que sem planejar. Esse só comprei porque tava na promoção e foi a única coisa que li do Eugenides sem gostar. Desde o início, o livro é bem arrastado, sem conseguir gerar qualquer empatia com os personagens. Na verdade, todos eles são pessoas bem ruins, e não do jeito bom (ou seja, ruins mas ainda assim interessantes e intrigantes). Estão mais para pessoas egocêntricas que ficam um bom tempo filosofando sobre a vida e religião e amor citando teóricos – e, de novo, não de uma forma legal. As 400 páginas pareciam muito mais do que as 600 e poucas de Middlesex. Curiosamente, a capa do livro compara Marriage Plot a Um Dia, o que é uma baita injustiça.

Maior decepção: As Mentiras Que As Mulheres Contam – Luis Fernando Verissimo

Verissimo sempre terá um espacinho no meu coração, e As Mentiras Que As Mulheres Contam é o que se esperaria dele. O meu problema não foi com essa coisa de “vilanizar” a mulher, como ele já havia feito na versão masculina do livro. O problema são as duas crônicas que banalizam de forma inaceitável a violência contra a mulher e, no fim das contas, não são nem engraçadas (por que será?). Ler isso estragou a experiência do livro pra mim, então essa certamente foi a decepção de 2015 nas minhas leituras.

E como foi o ano de vocês em livros? O que vocês mais gostaram ou menos gostaram de ler? Contem pra mim nos comentários 🙂

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7 dicas para ler mais

Quando estava na sétima série, tinha o costume de anotar o nome de todos os livros que lia. Não porque quisesse contá-los, mas porque foi um ano de muitas descobertas para mim e queria registrá-las. Estava no auge do fascínio por Harry Potter, uma série que me fez virar noites lendo calhamaços de 400 páginas, e foi também meu primeiro contato de verdade com a crônica.

Naquele ano, li 30 livros (sim, acabei contando). Lecília, minha professora de Português, ficava impressionada com o fato de eu aparecer na escola com um livro diferente a cada semana. Pela primeira vez, abandonava o conforto dos clássicos da literatura brasileira e me aventurava na leitura de obras contemporâneas, algo inédito para mim até àquele momento.

Não preciso nem dizer que hoje as coisas são bastante diferentes, certo? Nesse meio tempo, comecei a trabalhar, ganhei uma vida social e hoje estou na faculdade. O tempo livre é consideravelmente menor e, mesmo quando existe, não é comum chegar ao final do dia com a mente sobrecarregada por tantos afazeres e preocupações.

Há pouco mais de um mês, pedi demissão do meu emprego e decidi atuar como freelancer. A verdade é que, além do stress acumulado nos quatro trabalhos anteriores, bater o cartão estava me atrapalhando a ler, escrever, ver filmes, séries e ouvir música do jeito que gosto. Parece uma atitude pouco profissional da minha parte, eu sei, mas é justamente o oposto: com mais tempo, eu posso começar a me dedicar mais às coisas que me levarão onde eu quero – o jornalismo cultural. Pena que esse tipo de loucura investimento não paga as contas, mas ei, a gente precisa ter prioridades na vida.

Caminhando para o segundo mês no meu home office, fiquei surpresa ao constatar que continuo com uma pilha considerável de livros na cabeceira – tudo indica que compro mais rápido que leio – e as séries e filmes continuam acumulados. Isso porque ando ocupada demais colocando em dia as pendências da faculdade (aquela que eu vinha empurrando com a barriga desde o segundo período) e dos meus outros três trabalhos paralelos e passando muito menos tempo em trânsito – ser freela tem dessas coisas (e trabalhar de pijama). O ônibus é onde eu mais leio.

Uma outra constatação foi a de que, se meu ritmo de leitura não aumentou, também não caiu. Não só continuo riscando as pendências da cabeceira, como tenho conseguido diversificar os gêneros para não cair na rotina e perder o pique. O hábito de anotar os livros lidos não durou, mas hoje existe o Skoob, e dá pra arriscar dizer que esse ano li pelo menos 20 livros, entre meus e emprestados. Inclusive me dei ao luxo de fazer o que não fazia há muito tempo: ler mais de um ao mesmo tempo.

Vinte não chega a ser um número exemplar. Eu mesma já li mais e ainda há quem vá além. Mas é quase 10 vezes a média de livros inteiros do brasileiro e o suficiente para garantir bons momentos de entrega a um mundo diferente do seu e a uma língua que, embora sua, garante surpresas e encantos a cada capítulo.

A pilha de 2012… que não para de crescer!

Esse é, sem dúvida, o ano em que mais me dediquei aos livros desde os velhos tempos da sétima série (que nem se chama mais sétima série). Dificilmente conseguirei manter a média, já que a tendência da vida é ser sugada cada vez mais pelo trabalho, o trânsito, as engenhocas eletrônicas.

Mas leio. Leio porque minha profissão exige. Leio porque é a forma mais barata e rápida de fugir do marasmo da vida. Leio porque preciso.

Nem todos têm essa necessidade – e não há nada de errado com isso. Mas são muitos os que dependem da leitura para um bom desempenho profissional, afinal, não é só jornalista que precisa falar e escrever bem. Não sou nenhuma especialista no assunto, mas sou uma leitora dedicada e que busca cada vez mais uma vivência com os livros.  E o que venho aprendendo é o seguinte:

Leia o que você gosta: Parece óbvio, mas não é. Frequentemente, lemos o que todo mundo está comentando ou que supostamente deveríamos ler – os clássicos. Você precisa ler Saramago, García Márquez, Clarice, Machado de Assis, Shakespeare, Dante… só que não. É verdade, eles são grandes mestres da literatura e têm obras marcantes que você deveria ler, sim, se tiver interesse. Mas toda leitura obrigatória dificilmente se torna prazerosa, e se forçar a consumir páginas a fio de um texto que não fala com você pode ter o efeito inverso: o de te levar a acreditar que esse é um exercício chato e que pouco tem a lhe acrescentar. A leitura deve ser, sempre que possível, prazerosa, portanto não há motivos para impor tarefas a si mesmo. Invista em temas, gêneros e autores que estão ligados aos seus interesses. É bem provável que a partir daí surja a vontade de ir além da sua zona de conforto – e é aí que a diversão começa mesmo.

Leia o que você precisa: Hoje tem livro pra tudo, de receitas de cupcakes pra emagrecer a listas de 1001 carros que você deveria comprar antes de morrer. Há uma variedade considerável, inclusive, nas seções especializadas destinadas a profissionais dos ramos mais diversos. História, psicologia, administração, direito, marketing, turismo, artes, moda, jornalismo e tantos outros assuntos enchem as prateleiras das livrarias. É bem provável que você encontre algo que lhe acrescente na sua profissão.

Leia em todos os lugares: Itens indispensáveis na minha bolsa: documentos, chaves, dinheiro, sombrinha, maquiagem e um livro. Leio no ponto do ônibus, no ônibus (minha retina vai bem, obrigada), na fila do banco, no café aguardando o cliente para uma reunião. Esses são lugares em que você muito provavelmente vai passar o tempo… bem, olhando pro tempo. Aproveite esses momentos pra avançar algumas páginas naquele romance. Apesar de parecer uma leitura muito fragmentada (e é), pode acreditar: esses minutinhos fazem toda a diferença. Eu bem sei: li um livro do Luis Fernando Verissimo de 180 páginas em quatro viagens de ônibus (duas pra ir, duas pra voltar), em uma tarde só.

Não leia sozinho: Troque impressões com amigos que compartilhem do seu interesse. A maioria das pessoas conhece alguém que gosta de ler e, mesmo que não conheça, pode encontrar na internet. Há comunidades inteiras reunidas em torno de sua paixão pela literatura. É possível comentar, resenhar e até trocar livros. Interagindo com outros leitores, temos a oportunidade de conhecer pontos de vista diferentes e  outras obras e autores que normalmente passariam despercebidos. Você pode até pegar alguns emprestados (e devolver, pelamordedeus).

Leia autores: Quem só lê Paulo Coelho fica bitolado – assim como quem só lê Umberto Eco. Escritores tendem a se ater ao mesmo gênero, à temática de sempre e, a não ser que tenham personalidades múltiplas, à mesma linguagem. Conhecer novas formas de escrever e estilos literários é muito importante para a formação de qualquer leitor. No entanto, nada mais normal que se identificar com este ou aquele autor. Alguns deles até ganham um espacinho privilegiado no nosso coração e nos deixam curiosos para ler toda a sua obra. Esse estímulo leva, inclusive, a outros escritores do gênero. Luis Fernando Verissimo foi o responsável por me apresentar grandes nomes da crônica, como Fernando Sabino e Zuenir Ventura. Desde aquela leitura de “As comédias da vida privada”, aos 13 anos, nunca mais parei de ler tudo o que ele escreve. Esse ano, além de acompanhar sua coluna semanalmente no jornal O Globo, quatro dos 20 livros que li foram dele (“Ed Mort – Todas as histórias”, “Time dos Sonhos”, “As cobras – Antologia definitiva” e o mais recente, “Diálogos Impossíveis”. Atualmente, estou lendo “Aquele estranho dia que nunca chega”). Encontrá-lo novamente na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) foi uma satisfação tão grande que precisei expressá-la com um abraço – o que rendeu uma declaração na coluna do Ancelmo Góis sobre a tietagem com o escritor nas ruas de Paraty. Pode não ter sido meu momento mais orgulhoso, mas foi uma admiração sincera. E, mesmo em um ano em que não leio quase nada, eu leio Verissimo.

Leia barato: Comprar livros no Brasil é caro. Considerando o salário mínimo e a média de preços nas livrarias, entre R$30 e R$40, não é exagero dizer que livro é artigo de luxo por aqui. Ainda bem que existem bibliotecas! Mas se você é como eu e gosta de ter os livros, para abrir do seu jeito e até poder grifar e depois retornar a eles, uma boa alternativa é recorrer a sebos – na sua cidade ou na Estante Virtual, que tem um ótimo acervo (inclusive com itens que já saíram de catálogo) e livros a partir de R$1. Já encontrei livros tão bem cuidados que só soube que eram usados pois tinham a assinatura do dono na primeira página – e saíram pela bagatela de R$6 cada. Até mesmo livrarias virtuais tem promoções no  melhor estilo “leve 5 por R$50 com frete grátis”, então essa história de que não lê porque não tem dinheiro não cola mais.

Leia alternadamente: Que ler gêneros e estilos diferentes é importante, já foi dito. Mas, mesmo que se leia um tratado filosófico e depois um livro reportagem sobre o mensalão, a leitura tende a ficar cansativa. E o motivo é simples: não há quem aguente se dedicar apenas a assuntos extremamente cerebrais o tempo todo. Nem toda leitura tem o papel de ensinar, e não há nada de errado em buscar entretenimento e diversão em um livro. Gosto de alternar crônicas, biografias ou reportagens com romances. Essa combinação me ajuda a ler o que preciso – texto jornalístico, em sua maior parte – e o que me dá prazer, o romance. Ele é importante, inclusive, para quebrar a rispidez e a seriedade do meu próprio texto, jornalístico ou não.

Enfim… leia!

E você, também é um leitor? Que dicas você dá para quem quer ler mais?

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8 filmes que todo estudante de Jornalismo deveria assistir

Nem todo estudante de Jornalismo é fã de cinema, e nem precisa ser. Mas na sétima arte estão alguns dos melhores e mais polêmicos casos de jornalismo da História. Reais ou fictícios, dá para aprender muito com eles e discutir aspectos importantes da profissão, como ética, transparência, relacionamento com as fontes e o público e o papel da imprensa.

Não, esta lista não contém “Todos os Homens do Presidente” – até porque eu nunca vi. Assim como nunca assisti a outros clássicos filmes que discutem os vários aspectos do jornalismo. Mas uma coisa é fato: a vida de repórter continua gerando ótimas “pautas” para o cinema. Isso porque é uma existência cheia de emoções, boas e ruins. E esse é o lado legal de ser jornalista: você pode ganhar pouco, ser viciado em café, se alimentar mal e não ter tempo para nada, mas terá uma infinidade de histórias para contar.

Estes são alguns dos melhores filmes que falam desse ser complicado e dessa profissão tão gratificante e tão ingrata ao mesmo tempo.

O Informante (1999)
Sou suspeita pra falar de Al Pacino, mas este é realmente um de seus grandes filmes – e, provavelmente, seu mais recente trabalho realmente bom. Não porque seu desempenho tenha caído (impossível!), mas pela má escolha de seus mais recentes trabalhos, muito mal dirigidos. Neste filme de Michael Mann, porém, ele faz um produtor do tradicional programa jornalístico 60 Minutes que encontra no personagem de Russell Crowe uma ótima fonte da indústria do tabaco. Baseado em fatos reais, vale como uma aula sobre o tema “cutucando a fera com vara curta”, ou seja, a abordagem de temas potencialmente perigosos.

Intrigas de Estado (2009)
Dessa vez, o jornalista é Russell Crowe. Ele investiga uma rede de conspiração que o leva até seu colega de faculdade e atual senador Stephen Collins (Ben Affleck). Della (Rachel McAdams), novata na profissão, o acompanha na investigação, que se torna perigosa e envolve muitos interesses. Jornalismo investigativo em sua melhor forma: intrigante.

Zodíaco (2007)
Também baseado em fatos reais, o filme conta a história do assassino cujo codinome espalhou o caos à região da baía de San Francisco nos anos 60 e estampou a primeira página do San Francisco Chronicle. O assassino em série mandava cartas criptografadas ao jornal, exigindo que fossem publicadas – as pessoas, obcecadas, tentavam quebrar o código, na esperança que revelasse a identidade do bandido ou quem seria a próxima vítima. Grande parte da ação se passa na redação do jornal, com foco no repórter vivido por Robert Downey Jr. e no cartunista de Jake Gyllenhaal, que mais tarde lançou um livro sobre o tema (que, aliás, gerou o filme), dizendo ter decifrado quem era o criminoso.

Boa Noite e Boa Sorte (2007)
Edward R. Murrow era um âncora de TV no auge da Guerra Fria. Em plenos anos 50, o jornalista desafia o então senador Joseph McCarthy e sua “caça às bruxas”, ou seja, a busca desenfreada por comunistas na América capitalista. Murrow insistia em mostrar os dois lados da história, mas acabou por tornar-se alvo do senador. McCarthy eventualmente caiu, provando que, num mundo ideal, a liberdade de imprensa deve sempre prevalecer. Ótimo trabalho do diretor George Clooney.

Quase Famosos (2000)
O que eu não daria para ser repórter da Rolling Stone aos 15! Essa é a história de William que, em plenos anos 70, viaja o país acompanhando uma banda de rock. O filme nem é tanto sobre o jornalismo, mas sim sobre a curtição do adolescente e a música (riquíssima) naquela época. É dos tempos em que o Cameron Crowe ainda fazia bons filmes.

Frost/Nixon (2008)

O drama relata o período de produção de uma das entrevistas mais marcantes do ex-presidente americano Richard Nixon (Frank Langella), concedida ao apresentador britânico David Frost (Michael Sheen), que, à época, tinha pouca ou nenhuma reputação. Excelente edição e roteiro bem desenvolvido por Peter Morgan, com base em sua peça.

O Preço de uma Verdade (2003)

Stephen Glass (Hayden Christensen) é um jovem jornalista da renomada revista New Republic. Ele está em plena ascensão na carreira quando começam a ser levantadas questões sobre a veracidade de um de seus artigos. É uma boa reflexão sobre se ater aos fatos – mesmo que eles não sejam lá tão interessantes ou rendam uma manchete.

Íntimo e Pessoal (1996)

O sonho de toda jornalista é encontrar um amor que entenda as suas ausências (e quem melhor pra isso que outro jornalista?) e, de quebra, se pareça com Robert Redford. Esta é a história de Jessica Savitch, a primeira mulher a se tornar âncora de telejornal nos Estados Unidos. Ela acaba se apaixonando por seu mentor, e eles vivem uma intensa história de amor. Esse é o lado bonitinho e doce da vida corrida de uma redação.

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