Lua de mel na Europa: Londres

Oi pessoas! Voltei para continuar contando pra vocês como foi a nossa viagem de lua de mel. Como contei no post anterior, passamos alguns dias em 3 cidades europeias. Hoje é a vez de Londres <3

Dos lugares por onde passamos, Londres foi onde tivemos menos tempo: 3 dias, contando com a vinda de Paris e a ida para Edimburgo. Aliás, a viagem de trem de longa distância é algo que me impressionou muito. Em Paris, fizemos um trajeto mais demorado, com destino a Giverny. Foram cerca de 50 minutos no trem. Mas da França para Londres foram mais ou menos 4 horas, que passaram voando porque o trem era bastante confortável. Um conselho se você vai fazer a mesma viagem: não faça como eu e leve malas pequenas ou médias. A minha é grandalhona e tive dificuldade de encaixar no bagageiro do trem, que ocupa um dos vagões. Aliás, eu não – o Daniel, que foi o cavalheiro de sempre e ficou com aquela mala pesada pra lá e pra cá, buscando um lugar onde ela coubesse.

Descemos na St. Pancras, uma estação que fica pertinho de King’s Cross. De lá, fomos direto para o hotel, o Royal National. Nossa experiência não foi legal. Em termos do quarto, foi o maior que conseguimos. Mas foi o único hotel que se recusou a nos dar uma cama de casal e a sequer juntar as que tinham no nosso quarto. Fizemos isso por conta própria. A equipe não fazia esforço algum para ser bem educada, e nós basicamente levamos na cara a cada informação que pedíamos na recepção. Fora de lá, até que as pessoas foram simpáticas e receptivas, naquele jeitinho inglês de ser.

Mas nós mal ficamos no hotel, então sem problemas! No primeiro dia, pegamos logo um daqueles ônibus double-decker e fomos parar… Bem, não sei onde rs Saímos em algumas ruas bastante movimentadas e logo vimos o templo de consumo que é a Primark. Já tinham nos falado dessa loja, então entramos logo e perdemos umas duas horas lá dentro. São quatro andares de roupas, calçados e acessórios – três femininos/infantil e um masculino. Deixamos, de cara, por volta de 70 libras lá. Mas mesmo convertendo esse valor pra real, fizemos ótimos negócios, pois saímos com MUITA coisa. Blusas, casacos, meias, bolsas, calçados, etc. O preço médio de cada coisa que compramos foi cerca de 6 libras, ou seja, 30 reais. Vale muito a pena!

De lá, fomos ao Burger King, e foi uma experiência mágica! Não pelo sanduíche, mas pela máquina de refrigerante. Ela tem uma tela de toque onde você diz que tipo de bebida quer. Se for refrigerante, por exemplo, aparecem uns 15 ou 2o sabores pra você escolher. Fui na opção de cereja e tinha várias opções: Coca-Cola com cereja, Doctor Pepper com cereja, Fanta com cereja… São muitas possibilidades de escolhas e combinações. Normalmente eu não tomaria um refrigerante nesse sabor, mas eu e Daniel combinamos de abandonar a Coca comum e experimentar as opções diferentes por onde passássemos. Em Paris e Edimburgo, bebemos bastante da Coca Life, que é lançamento lá e já tínhamos adorado na Argentina <3

AmericanBuffalo_Wyndham Theatre

Logo depois, pegamos o metrô e saltamos em pleno West End, a região de Londres onde ficam os teatros mais frequentados da cidade. A saída da estação dá de cara com o Wyndham Theatre, onde estava em cartaz a peça “American Buffalo”. Lemos sobre ela na revistinha do trem Paris-Londres e ficamos super a fim de conferir os ingressos, então entramos logo na bilheteria. O motivo: a peça foi escrita por um dos meus dramaturgos favoritos, David Mamet. E no elenco estavam o John Goodman (Treme, O grande Lebowski) e o Damian Lewis (Band of Brothers, Homeland). Mas, como os próprios jornais diziam, esses eram os ingressos mais procurados pelos amantes de teatro. Tínhamos duas opções: ou pagar 200 libras em assentos premium (tipo uns mil reais pra nós dois) ou então pagar 12o reais em duas entradas para assistir a peça em pé. Nem preciso falar que fomos na segunda opção, né? rs

Achei que não fosse aguentar assistir a peça toda em pé, porque estávamos passando todos os dias andando muito e à noite nossos pés já estavam acabados! Mas a peça foi tão incrível e passou tão rápido que acabei esquecendo qualquer desconforto!

BritishGallery

Ainda no primeiro dia, fomos à British Gallery. Lá ficam algumas pinturas do Turner, um dos pintores favoritos do Daniel, e que ele queria ver de perto, assim como eu queria ver os Monets em Paris. Mas não tivemos sorte: devido a alguma manutenção, várias salas da British Gallery estavam fechadas naquele dia. Vimos alguns impressionistas (mais Monet!), tinha alguma coisa de Van Gogh, como a famosa cadeira e o vaso de girassóis, mas acabamos saindo com a promessa de voltar.

PicadillyCircus

Também fomos bater perna no Picadilly Circus. Na minha cabeça, era um lugar bem maior, mas é basicamente um rodinho onde o trânsito se direciona para as ruas adjacentes. No centro desse rodinho, tem uma fonte onde os turistas gostam de sentar. Em volta, tem os famosos billboards luminosos, e muitos estabelecimentos para turistas: lojas de souvenires e até um passeio por bizarrices do programa “Acredite se quiser”.

Na na na na hey Jude! #heyjude #beatles #musical #london #westend #letitbe

Um vídeo publicado por Nathália Pandeló (@nathaliapandelo) em

Voltamos ao West End para assistir a “Let it be”, o musical dos Beatles. Para esse, já havíamos comprado ingressos: 20 libras cada. O show foi ótimo, mas me decepcionou um pouco por ser, bem, isso. A história dos Beatles é mostrada em monitores, com um narrador em off, e não encenada no palco, que fica exclusivo para a parte musical. Ou seja, é um show cover de luxo rs Mas a parte boa é que o cover é mesmo ótimo: os músicos são muito parecidos com Paul, George, Ringo e John e tocam muito!

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Encerramos a noite com uma sopa no Pret A Manger, uma rede de lanchonetes que encontramos em todas as cidades onde passamos. Eles vendem apenas comida fresca e café orgânico, por exemplo, e tem umas sopinhas deliciosas e picantes por 3 libras. Elas trazem um pouco dos sabores indianos e orientais em geral, apenas uma das muitas culturas que se encontram em Londres. Por fim, passamos no London Pub para tomarmos uma pint de Guiness preta. Esse bar dava direto no nosso hotel, então aproveitamos para filar o wi-fi de lá (o Royal National é o único hotel que fui na vida que não oferece wi-fi nos quartos, apenas na lanchonete e no bar lá embaixo. Ou seja, saia no frio se desejar usar internet).

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O dia seguinte foi de pura magia! Tiramos para fazer o tour dos estúdios de Harry Potter! Íamos contratar o passeio com a CVC, mas mais uma vez seria mais de 300 dólares para nós dois. Decidimos fazer por conta própria, e compramos os ingressos via internet com mais de 2 meses de antecedência. Os dois saíram por 66 libras. Se não me engano, não são vendidos ingressos na bilheteria, pois os tours têm um limite de pessoas e a procura é muito alta.

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Fomos a pé para Euston, uma estação de trens intermunicipais e bem grande que ficava perto do nosso hotel. Dessa vez, foi bem mais fácil do que a ida para Giverny saindo de Paris. Fomos direto no guichê da Virgin e compramos ida e volta para Watford, uma cidadezinha perto de Londres. Cada passagem foi 13 libras. O trajeto é de meia hora a 35 minutos, e super tranquilo. Saindo na estação de Watford, tem um ponto de ônibus logo do outro lado da rua. Lá, você pega o ônibus da Warner que leva ao estúdio. Não tem erro: ele é toooodo decorado com imagens dos filmes. A passagem de ida e volta custa 2 libras e é um double-decker, ou seja, leva bastante gente! Até o estúdio, são cerca de 10 minutos.

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Chegando lá, retiramos nossos ingressos na bilheteria e fomos para a fila. Estávamos no tour das 9:30. Logo de cara, você vê muitas fotos do elenco por todos os lados e uma versão do carro do sr. Weasley pendurado no teto. Com a fila andando, você vai para uma salinha, onde as portas se fecham e você fica cercado de pôsteres de todos os filmes, em todas as línguas, passando em loop em várias telas ao redor da sala. Lá, uma das guias explica um pouco sobre o passeio e onde é proibido fotografar e filmar (basicamente, na sala seguinte). De lá, o grupo é levado para um cinema, numa sala adjacente. Eles exibem um vídeo com Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson explicando um pouco sobre o passeio e termina com eles entrando na porta de Hogwarts. Nesse momento, a tela sobe e adivinhem o que está atrás dela? Sim, exatamente a mesma porta! O cinema inteiro faz um “aaaahhhh” generalizado.

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A partir daí, você é levado para o salão da escola, aquele onde o Dumbledore fazia os anúncios. E então fica livre para explorar da forma que preferir. O tour não tem um caminho predeterminado e você tem bastante tempo até a próxima visita, que é na parte da tarde. Nos galpões seguintes, você vê muitos dos sets desenvolvidos para os 8 filmes: a sala do Dumbledore, a sala de poções, a casa dos Weasley, e muitos objetos e figurinos utilizados: vassouras, bolas de quadribol, varinhas, etc.

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Nesse momento, já dá pra perceber como foi feita boa parte da magia que se vê nos filmes: ela existiu de verdade. A equipe técnica se deu ao trabalho de fazer um caldeirão que ficasse sempre com a colher mexendo sozinha, ao invés de optar pelo efeito especial. Ou seja, boa parte do que vemos na tela é efeito prático. Isso fica ainda mais claro quando chega a parte mais técnica, que permite ver de perto todos os seres que foram criados para os filmes. A tia do Harry está pendurada no teto, assim como o Aragog. O Dobby está em uma caixa de vidro. Sabe o Voldemort renascido em forma de bebê, no Pedra Filosofal? Ele existe, e é animatrônico. Ele dorme, acorda, olha pra você e dorme de novo. Mesma coisa com a mandrágora que grita. Mesma coisa com o Bicuço, o hipogrifo. Ele fica sentadinho em um canto, parecendo dormir. Até que desperta, levanta a cabeça, observa o ambiente ao redor, e dorme de novo. É incrível!

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Mais ou menos na metade do trajeto, há uma lanchonete grande que serve sanduíches, saladas e, claro, cerveja amanteigada. Pagamos 6,50 libras em cada caneca, mas é daquelas mais durinhas que você pode levar para casa. Sem a caneca, é 2,50. Eu adorei o sabor: parece um suco de maçã com chantilly por cima. Entendo quem se decepciona, mas eu não tinha expectativas e realmente não sabia o que esperar, então acabei gostando!

Mas ainda há muito para ver: você pode jogar quadribol, subindo em uma vassoura que tem uma tela verde atrás, e depois comprar o DVD; pode visitar a plataforma 9 3/4 e, sim, entrar no verdadeiro expresso de Hogwarts. Não dá pra entrar nas cabines, mas eles as recriaram do lado de fora do trem, onde você senta e realmente balança, como se estivesse viajando. No lugar das janelas, há telas que imitam os lugares por onde eles passam e até aparecem algum dementadores. Outra experiência legal é entrar no Noitbus Andante, passar em frente a casa dos Dursley e, por fim, ver a maquete gigantesca que eles usavam para fazer as tomadas externas. Sem exagero: a maquete é do tamanho da nossa casa. Eles ainda colocam uma iluminação e a trilha do filme no fundo que não deixam outra escolha senão chorar.

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Enfim, é um passeio realmente mágico. Poderia ser técnico e chato, mas eles conseguiram manter boa parte da magia que nos levou até lá. Só recomendo cuidado para não gastar tudo que tem no bolso na lojinha que fica no final. Compramos algumas bobeirinhas, como meu cachecol da Grifinória (26 libras), um sapo de chocolate (7 libras e enorme!), bloquinhos com brasões das casas de Hogwarts (4,50 pacote com 4) e um lápis (2 libras). Foi difícil não levar tudo!

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Na saída, gravamos um vídeo para o canal (em breve, vai estar no ar) e logo pegamos o ônibus de volta. Ele nos deixou em frente à estação de Watford, mas a passagem de volta é flexível: você pode pegar qualquer um dos trens para Londres que desejar. Então fomos a um pub ao lado da estação, chamado The Flag. Não era um boteco, era super arrumadinho e com várias opções legais no cardápio. Acabamos optando por duas cervejas que estávamos vendo em todo lugar, Carling e Carlsberg, e pelo tradicional fish and chips, que ainda não tínhamos parado pra comer. Eu não sou muito fã de peixe, mas esse estava delicioso! Eles fazem alguma coisa diferente para fritar, tanto o peixe quanto a batata, que ficam extra crocantes. Não sei explicar! Acho que cada prato foi mais ou menos 9 libras, e cada pint de cerveja custa mais ou menos 5 libras nos bares em geral.

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Voltamos para Londres super felizes e descansamos no hotel. No dia seguinte, tínhamos reserva para almoçar no Jamie’s Italian, o restaurante do Jamie Oliver que fica em Covent Garden. Pegamos o metrô e saímos bem pertinho de lá. A experiência toda foi excelente! Os garçons são bem educados e dá vontade de pedir o cardápio inteiro! Como entradas, pedimos “polenta chips”, basicamente polenta frita. Eu nunca tinha comido e o Daniel adora, então foi uma escolha fácil. E optamos por opções pequenas das massas, porque ainda queríamos experimentar as sobremesas! Eu pedi um cheesecake, porque é a única coisa que eu consigo pedir quando há essa opção no cardápio. Daniel pediu um bolo de sorvete. E, pra fazer a digestão, escolhemos o limoncello. É um licor de limão que eu tinha vontade de provar desde que vi “Sob o sol da Toscana”! rs Ele é basicamente vodka, água, limão siciliano e açúcar, e é bem forte. Todas as bebidas são feitas lá na casa mesmo, inclusive o vinho que tomamos. Tinha a opção das cervejas do próprio Jamie. Na saída, dá pra comprar tudo do chef: guardanapos, tábuas para frios, livros, etc. Escolhemos um azeite com limão siciliano. Já provamos e é nada menos que incrível!

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Saímos de lá e passamos pela loja M&M’s (super lotada!), voltamos à British Gallery (conseguimos ver as obras do Turner!) e fomos à estação Earl’s Court. Logo na saída, fica a Tardis, a cabine de polícia em que o Doctor viaja no tempo em Doctor Who. Eu não assisto à série, mas o Daniel sim e ele ficou todo feliz de ver de perto um dos maiores símbolos do programa. Até levou a Tardis dele pra acompanhar!

Tardis

De lá, corremos para a London Eye. Tínhamos reserva e ingressos especiais para a “champagne experience”. Retiramos os ingressos automaticamente em uma máquina que fica na sede da roda gigante. De lá, fomos levados para uma salinha exclusiva, com um bar e soft jazz tocando. Aguardamos o horário para sermos levados para o passeio. A host foi extremamente simpática e acabamos dando sorte: por causa da maratona de Londres, que estava sendo realizada naquele dia, a London Eye estava praticamente vazia. Resultado: nós e um outro casal fomos os únicos na cápsula onde normalmente iriam outras 36 pessoas. A guia foi tão simpática que deixou a garrafa de champagne inteira para a gente, quando normalmente só ganharíamos uma tacinha!

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Carrossel

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Passeamos pela beira do Tâmisa e só vimos o Big Ben de longe. Nos arrependemos de não ter comprado ingresso para o aquário e o Madame Tussaud’s, que quando saímos já estavam fechando. Acabamos comendo um cachorro quente num festival de humor e circo que estava tendo ali perto, cheio de barraquinhas de comida de rua. Ah, e tomamos mais algumas pints e brindamos a Londres, essa cidade bonita, lotada e que a gente teve chance de ver tão pouco. Lugares cheios não são nossos favoritos, mas Londres deixou um gostinho de quero mais. Na manhã seguinte, embarcamos em King’s Cross para Edimburgo. Conto mais sobre isso no próximo post!

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Porta livro de colorir by Pano de Roda

Passei aqui para compartilhar com vocês esse lançamento da Pano de Roda, uma marca de mimos artesanais e moda infantil criada pela minha sogra e minha cunhada. É um porta livro de colorir + porta lápis, que vem para agradar todo mundo que tá redescobrindo seu amor por essa atividade que faz tão bem e está sendo encarada como uma verdadeira terapia. Sem falar que serve também pra aula de artes dos pequenos, então dá pra aproveitar da forma que melhor te atender.

O porta livros e lápis vem em estampas variadas, a combinar – tem floral, de bichinhos, etc. Confira as lindas imagens da Ana Telma Fotografia e veja no final do post como encomendar o seu (até porque esse aí da foto é meu! <3):

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Bolsinhas da Pano de Roda
R$35
Entregas em todo Brasil
Estampas variadas a combinar (floral, bichinhos, etc.)
Tratar com Tânia
(21) 3407-8405
(21) 98542-4274

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Lua de mel na Europa: Paris

GENTE! CASAMOS! <3

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Foi no dia 18 de abril, em uma pousada charmosinha aqui em Petrópolis, na serra do Rio. E tava tudo lindo, do jeito que a gente imaginava: simples e na presença apenas de alguns amigos e familiares.

Mas depois teremos fotos lindonas do casamento e eu vou poder contar melhor pra vocês. Hoje eu tô aqui pra compartilhar um pouquinho de como foi a viagem de lua de mel, que fizemos dois dias depois. Embarcamos pra três cidades europeias cheios de documentos debaixo do braço e com muitos alertas de que poderíamos, inclusive, ter de voltar pra casa por conta das demandas da imigração nos países que visitaríamos. Se isso de fato tem acontecido com alguns viajantes, eu não saberia dizer, pois não notamos qualquer tipo de problema nesse sentido. Então estou aqui pra tranquilizar os casais (ou não) que estão planejando a ida pra eu Europa. Vou contar em três posts separados, sendo um por cidade: Paris, Londres e Edimburgo. Então senta, que lá vem história 🙂

PARIS: A CIDADE DAS LUZES

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Tchau, Rio!

Embarcamos no Galeão, no Rio, pela TAP. Nunca tínhamos voado com essa companhia e foi uma grata surpresa. Ótimo atendimento, comidinha deliciosa e bom entretenimento durante o voo. Tentei ver alguns filmes, mas dormia e acordava entre todos eles, então acabei desistindo. Tivemos um pouco de turbulência na ida (e bem mais na volta!), mas correu tudo bem. Chegamos a Lisboa cerca de 9h depois. Achamos que teríamos mais tempo antes de pegar nossa conexão, mas a fila de controle de passaporte estava bem grande. Quando chegamos do outro lado, não sobrava tempo pra mais nada. Logo, embarcamos pra Paris. O voo durou cerca de 2h30.

Como já havíamos passado pela imigração em Portugal, não precisamos fazer isso novamente na França. Chegamos no Aeroporto de Orly (aquele do samba do Chico) e pegamos um táxi para o hotel. Ficamos no Tim Hotel Tour Eiffel, a algumas quadras da torre. Foi bem satisfatório, apesar de que eu criei uma expectativa de acomodações um pouquinho melhores. Deveria ter me informado mais. Como chegamos horas antes do check in – por volta de 7h, horário local -, fomos bater perna justamente no ponto turístico mais conhecido da cidade.

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A primeira impressão foi de que a torre parecia muito mais alta à distância. Não que seja uma decepção – todo o entorno é lindo e só de ver aquele monumento grande, construído séculos atrás, faz a gente sentir uma certa reverência. O ponto negativo é que, por ser uma área de quase 100% circulação de turistas, é meio que o hot spot para batedores de carteira. Um golpe conhecido é o do abaixo-assinado: você é abordado por meninas, em geral, com uma prancheta. Elas alegam que querem sua assinatura para alguma causa e, quando você se distrai assinando, alguém leva a sua carteira ou itens que você tenha e que sejam fáceis de pegar. A dica é: continue andando e elas não vão te seguir (pelo menos, não que eu saiba). A mesma dica vale para os ambulantes que trabalham nas ruas de todo o entorno da torre. Eles têm uma abordagem de te “fechar” na rua, já que geralmente estão em grupos de 3 ou 4, diminuindo o espaço que o pedestre tem pra passar. É só desviar, que fica tudo bem.

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Apesar de estar tomado de homens do exército carregando fuzis (uma consequência do ataque à Charlie Hebdo, imaginamos), o Trocadéro foi um espaço muito mais agradável, pois de lá se vê a torre em todo o seu esplendor, mas sem tantas pessoas querendo te abordar. Tive a mesma sensação que tive no Caminito, em Buenos Aires: ok, tudo lindo, mas quero sair desse lugar logo, porque tá difícil de curtir o passeio com tantas interferências externas.

Beeem melhor daqui!
Beeem melhor daqui!

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Mais bonita ainda à noite!
Mais bonita ainda à noite!
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Nosso primeiro almoço na França 🙂

Quando deu o horário do check in, fomos pro quarto colocar os pés pro alto. Tanto eu quanto Daniel ficamos com os pés inchados, por ficarem mais de 24h pra baixo o.O

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Se liga nessa arquitetura

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Na parte da tarde, pegamos o trem e fomos pra Notre Dame. Encontramos a igreja fechada, mas foi bem a tempo de ouvirmos o Quasímodo tocando os sinos! Estava com aquele sol de fim de tarde, o que deixou tudo bem mágico. Em seguida, atravessamos a rua e fomos à livraria que eu mais queria visitar na vida: a Shakespeare and Company. Ela é uma livraria fundada em 1951 mas que parece até mais antiga, que tanta história que circula ali dentro. Você olha pra um lado, e tem uma foto do Hemingway exatamente onde você está. Infelizmente, não dá pra fotografar lá dentro, mas talvez isso torne a experiência ainda melhor pelo fato de que a gente esquece os celulares e câmeras por um tempo e foca naquelas prateleiras. Levei um livro do Chuck Palahniuk e o Daniel comprou um sobre histórias e lendas celtas. De quebra, comprei uma ecobag pra lembrar com muito carinho dessa visita <3

Esse foi o primeiro vídeo que gravamos por lá para o nosso canal no YouTube. Assista e assine para receber todas as novidades!

Gente, ela existe! * - *
Gente, ela existe! * – *

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Todo o entorno de Notre Dame é adorável. Voltamos lá algumas vezes para comer e comprar souvenires. Tem muitas lojinhas com tudo de Paris que vocês pode imaginar, e com preços acessíveis. Para comer, recomendo os sanduíches de restaurantes gregos, que você pode levar para comer enquanto anda, e custa só cinco euros. O RER é um trem confortável, não é super cheio e te leva para os principais pontos turísticos de Paris de forma bem confortável. Usamos para tudo lá, com a facilidade de que um bilhete pode ser usado durante um tempinho, barateando todo o passeio.

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Baguette com frango, alface, tomate e batata frita
Sanduíche de baguette perto da Shakespeare and Company
Sanduíche de baguette perto da Shakespeare and Company

No dia seguinte, fomos ao Museu D’Orsay, que fica em uma antiga estação de trem. Sem dúvida, é um dos mais bonitos que já visitamos. Ele tem várias obras de mestres impressionistas, que é o meu período da história da arte favorito (apesar de não entender muito do assunto). Vi meus primeiros Monets ali, mas tem Van Gogh, Renoir, Rembrandt, etc.

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Vista do relógio da antiga estação
Vista do relógio da antiga estação

Escolhemos subir o Arco do Triunfo ao invés da Torre. Não me arrependo, apesar da subida que deixa qualquer um sem ar. Devem ter sido uns 200 degraus, em uma escada estilo caracol, então não recomendo para claustrofóbicos. Mas chegamos ao topo e, além de uma galeria com exibições de arte, tem uma lojinha de souvenires. Na parte externa, tem uma vista incrível de Paris. Dá pra ver até bem longe, mas com a torre como protagonista e o Champs-Élysées logo que você olha pra baixo. Teria preferido se tivéssemos pegado o entardecer lá em cima, porque como vocês podem ver abaixo, é lindo mesmo ali embaixo. Passamos o resto da tarde e comecinho da noite visitando as lojas do Champs-Élysées. Fui no templo da maquiagem, a Sephora, e na loja da Mac. Achei os preços dentro da expectativa, e me encantei com a loja da Disney. Só não comprei nada porque não encontrei produtos legais da minha princesa favorita, a Merida, de “Valente”. Mas tinha tuuudo que vocês podem imaginar de Frozen, dos Vingadores, de Star Wars… Daniel ficou louco lá dentro, e também na loja do Paris Saint-Germain. Pra matar a fome depois e não gastar muito, optamos várias vezes pelos crepes, que são enormes e custam cerca de 3 euros. Pra vocês terem ideia, uma refeição completa, com entrada, prato principal e sobremesa, não sai por menos de 10 euros por pessoa.

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QUE. VISTA.
QUE. VISTA.
Champs-Elysées ali embaixo
Champs-Elysées ali embaixo
Voltando pro hotel depois das compras... essa vista.
Voltando pro hotel depois das compras… essa vista.
Morador ilustre de Champs-Elysées
Morador ilustre de Champs-Elysées

O dia seguinte foi o que eu aguardava com mais ansiedade: fomos à casa do Monet, em Giverny! Desde os 9 anos tenho esse sonho. Como boa parte das crianças que sonham com esse passeio, tudo começou com a leitura de “Linéia no Jardim de Monet”, que eu peguei na biblioteca da escola e li e reli. Como era difícil comprar livros em Leopoldina na época, xeroquei para ter sempre comigo. No ano passado, me lembrei desse livrinho tão importante pra mim, e finalmente me dei um original de presente. Nem imaginava que, pouco tempo depois, eu ia conseguir realizar esse sonho! Uma das coisinhas que comprei na lojinha por lá foi um caderno de desenho com a Linéia na capa – tem muitos produtos da personagem, inclusive uma bonequinha de pano que eu com certeza vou querer dar pros meus filhos quando puder levá-los pra fazer essa viagem um dia 🙂

Tentamos até adquirir o passeio com a nossa operadora de turismo, mas ia sair super caro! Encaramos a aventura e fomos por conta própria. Acordamos seis da manhã, pegamos o metrô perto do hotel e fomos até a estação Gare St.-Lazare. De lá, saem trens intermunicipais e, nesse caso, estávamos indo para a região da Normandia! Lá, é preciso encontrar o guichê das Grandes Lignes, e adquirir a passagem de ida e volta com destino a Vernon. Ficou em cerca de 28 euros por pessoa, ida e volta. A viagem dura cerca de 50 minutos e, lá em Vernon, você pega um ônibus logo em frente à estação de trem. Ele é um serviço de shuttle que leva diretamente a Giverny, um povoado pequeno e que faz parte desse distrito. Os ônibus são confortáveis e novos, e a passagem custa 4 euros, ida e volta, por pessoa. O trajeto até a casa de Monet são cerca de 10 minutos. O ônibus de volta tem a partir de 11h, se não me engano. Perdemos o de 12h15 e tivemos que esperar duas horas pelo próximo! Mas tudo bem, tivemos um almocinho gostoso na Normandia.

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Se liga na cara da criança feliz :D
Se liga na cara da criança feliz 😀
Sim, pode subir na ponte japonesa * - *
Sim, pode subir na ponte japonesa * – *

O jardim de Monet, em si, é um sonho. O ponto final do ônibus é no começo de um pequeno bosque, onde tem um busto do pintor e uma passagem subterrânea que leva até o outro lado da estrada. Lá, se caminha entre 5-10 minutos até chegar na casa. É um passeio gostoso, com aquelas casinhas estilo interior da França e com lojinhas de artesanato e restaurantes. Todos com nomes fazendo referência ao morador famoso, claro. Chegamos mais ou menos 15 minutos depois da abertura e já estava bem cheio! Compramos nossas entradas com ingresso casado para o Museu Orangerie, onde iríamos no fim do dia.

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NÃO. DÁ. PRA. NÃO. FOTOGRAFAR.
NÃO. DÁ. PRA. NÃO. FOTOGRAFAR.

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A entrada já é no jardim, com a casa do lado direito e todo o esplendor das flores coloridas do outro lado. Elas são sortidas, de várias cores e todas juntas, o que deixa tudo ainda mais lindo. Tulipas enooormes e vários outros tipos de plantas lindas – botânica não é meu forte, mas eu adoro olhar e sentir o cheiro. Você passa por algumas das fileiras de flores e sai em uma outra passagem subterrânea, que leve para a parte aquática do jardim. É lá que fica o famoso lago com a ponte japonesa, o barquinho que Monet pintou e as plantas do próprio lago. O difícil é conseguir parar para tirar uma foto sua, fazendo pose, pois os caminhos são bem estreitinhos e todo mundo quer tirar foto de tudo! Compreensível, porque não dá pra não tirar foto naquele lugar. Há muitos banquinhos ao longo do trajeto, mas talvez você nem se canse, pois o jardim é menor do que parece.

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Vista da varanda
Vista da varanda
Cara de quem não acredita que tá no atelier do Monet
Cara de quem não acredita que tá no atelier do Monet
Vista do quarto dos Monet
Vista do quarto dos Monet

Voltamos para a casa e entramos para conhecer os aposentos. Em quase todos, é possível entrar e tirar fotos. Começamos pelo atelier do Monet, onde ainda ficam vários quadros que ele pintou ali na casa, além de fotos dele naquele espaço. É mágico imaginar um mestre como ele trabalhando ali.

Cada cômodo da casa era de uma cor, o que dá um charme todo especial. Amei especialmente a cozinha.

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Depois, corremos pra voltar pra Paris. Passamos rapidinho no Louvre, mas desistimos de entrar porque sabíamos que não teríamos tempo pra ver muuuuita coisa legal. Fomos na pirâmide, que fica na parte externa, e também conseguimos visitar a lojinha. O Daniel tem uma coleção muito legal, de lápis de museus do mundo todo, e sempre vamos nas gift shops comprar algo pra aumentar a coleção dele.

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Nos encaminhamos então para a Orangerie, que fica do outro lado do Louvre, em uma extremidade do Jardin des Teuleries. Chegamos a sentar um pouquinho pra descansar ali, que é um espaço lindo. Como já tínhamos ingresso, permitiram a nossa entrada. Nem tínhamos interesse em ver mais nada além das ninfeias do Monet. Elas são murais enormes, que ficam em duas salas circulares. Cada uma das 8 paredes tem uma parte do mural, e dá pra perceber a passagem do tempo entre elas – um Monet mais jovem e outro talvez já envelhecendo e com problemas na visão. As salas só tem essas pinturas e banquinhos, pra você sentar e absorver a grandiosidade daquilo. Foi a segunda ou terceira vez que eu chorei vendo um Monet naquela viagem, e não seria a última.

Jardin des Teuleries e eu com sol na cara
Jardin des Teuleries e eu com sol na cara

Orangerie1

Orangerie2

Também demos um pulinho em Montmatre. Essa foi uma região que eu queria ter conhecido melhor, mas onde não ficamos muito tempo por conta de tantos alertas de assaltos por ali. Fomos mesmo para comer crème brûlée no Café des Deux Moulins, que foi utilizado como locação do filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, um dos nossos favoritos <3

CafeDeuxMoulins1

CafeDeuxMoulins2

Esse foi o único lugar onde fomos mal atendidos em Paris. Apesar da fama de marrentos e mal educados, os parisienses foram totalmente o oposto. Inclusive, foram super pacientes com o meu francês! rs Mas no Deux Moulins, o garçom nos trouxe a conta duas vezes, sem que pedíssemos e, enquanto o Daniel ainda estava na metade do ice tea que pediu, ele veio pedir, por favor, que pagássemos a conta. Quanta pressa! Parecia que tinha medo de dar o calote, pelo visto. Saímos sem deixar gorjeta. E digo mais: o crème brûlée da Bordeaux, aqui em Petrópolis, é mais gostoso e ainda finalizam com o maçarico na mesa 😛

Chá gelado de cereja
Chá gelado de cereja
Em Paris, vinho...
Em Paris, vinho…
... é mais barato que água.
… é mais barato que água.
Especial Amélie Poulain
Especial Amélie Poulain

Por fim, no nosso último dia em Paris, conseguimos descobrir onde se pegava o Batobus! rs Eles são barcos no estilo “entre e saia quando quiser”. Você pega em um dos pontos e o bilhete vale para todo o dia. Se não me engano, custa 16 euros por pessoa, mas vale a pena. Ele para em locais como Notre Dame, D’Orsay, Torre, Arco do Triunfo, etc. Se você quiser, pode ficar dentro do barco e só curtir o passeio, que foi o que nós fizemos, pois já tínhamos rodado a cidade toda a essa altura! O barco vai bem devagar e não dá enjoo, além de ser super seguro e uma oportunidade única de navegar no Rio Sena.

Batobus1

Batobus2

Batobus3

Batobus4

Deixamos nossa marca na ponte dos apaixonados <3
Deixamos nossa marca na ponte dos apaixonados <3

Minha impressão de Paris foi de que é uma cidade linda, cheia de história em cada esquina e muito plural, em termos de raças, línguas, costumes. Apesar de ser a cidade mais visitada do mundo, não dá pra sentir isso o tempo todo. Nada é cheio ao extremo, o transporte público funciona, quase não pegamos engarrafamentos e é tudo lindo demais. As pessoas são mais simpáticas do que você imagina e se eu vi alguém fedendo por lá, eram turistas no aeroporto rs Amei Paris muito mais do que imaginava e pretendo voltar um dia, pra passar mais tempo.

Ufa! Por enquanto, é só. Depois volto pra falar sobre a nossa próxima capital: Londres.

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Crescer dói

Quando fiz 27, dei uma olhadela pro passado e pensei no quanto o mundo dá voltas. Cinco anos atrás eu era outra pessoa. Há dez, então, nem se fala. É legal fazer essa reavaliação de vez em quando pra ver o quanto a gente evolui, mesmo quando acha que não saiu do lugar.

O que mais vem me incomodando, no entanto, é o quanto a gente é obrigado a deixar pra trás para seguir adiante. Em tempos de preparativos para o casamento e envio de convites, acabei reatando com amigas que a vida foi deixando pelo caminho, arrumando uma desculpa pra ligar pra alguns amigos com quem a gente esbarra na internet uma vez no ano. Logo aquelas pessoas que fizeram de mim o que sou hoje.

Ninguém nunca me falou que seria assim. O mundo me disse que quando eu crescesse, eu ia poder ganhar meu dinheiro, pagar a minha própria viagem pra Disney e até beber. Mas não me falou de toda a dor que fica pelo caminho. As despedidas, algumas pra nunca mais, sempre vão existir, por mais longe que a gente vá.

Vira e mexe, me pego falando para o Daniel o quanto ele ia amar conhecer a tia Vera. Que o bolinho de chuva dela era o melhor do mundo, que ela ia pegar no pé do Vasco dele, ligar pra dedicar uma música do Daniel, o cantor, pra ele na rádio e que o remédio que ela fazia com certeza teria curado a bronquite dele.

De vez em quando, coloco uma moda de viola pra lembrar do meu avô sanfoneiro e ele já sabe: lá vem história. De quando seu Pandeló ficava tocando na varanda da casa, pra quem passasse pela rua ver; de como ele ia tentar vender pra ele um relógio que barganhou mais cedo em troca de uma galinha caipira na praça da cidade; e que ele também ia pegar no pé do Vascão dele.

A minha avó, que perdemos no ano passado, o Daniel conheceu. Mas sinto que há boa parte de mim que ele só vai conhecer de ouvir contar, que só existiu quando eu tinha esses dois do meu lado. Acho que isso significa que eles vão estar sempre comigo e que essa saudade que dói tanto só mostra o quanto a passagem deles por aqui não foi em vão.

Aí eu vejo meus amigos comprando carro, tendo filhos, marcando casamento e percebo o quanto o tempo continua passando. O quanto eu só vejo recortes das vidas deles, e eles da minha. Quantas vezes a gente diz que vai marcar aquela ida num restaurante novo, aquele filminho, quando na verdade muitas vezes isso não vai passar de boas intenções que vão ser atropeladas por aqueles dias em que o trabalho não dá trégua.

Ninguém me avisou que seria assim. Que crescer não era só poder brincar na rua até tarde, ter namorado e aprender a dirigir. Que era, na verdade, uma longa estrada cheia de curvas, desvios e sem retorno, onde a gente ou decide viajar junto, ou vai sempre buzinar um para o outro, à distância, como quem diz: vamos marcar.

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